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Servidores da Agirf e cinco vereadores são alvos de operação que apura desvio de 13 mil cestas básicas em MT

Investigação aponta suposto esquema de retirada, transporte, armazenamento e distribuição irregular de donativos destinados a famílias vulneráveispor Daniel TrindadeDois servidores da Agência...

Servidores da Agirf e cinco vereadores são alvos de operação que apura desvio de 13 mil cestas básicas em MT
Fonte: Deixa que eu te conto

Investigação aponta suposto esquema de retirada, transporte, armazenamento e distribuição irregular de donativos destinados a famílias vulneráveis

por Daniel Trindade

Dois servidores da Agência Municipal de Regulação e Fiscalização (Agirf) aparecem entre os principais alvos da Operação Mesa Vazia, deflagrada pela Polícia Civil nesta sexta-feira (3), para apurar o suposto desvio de aproximadamente 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza destinados a famílias em situação de vulnerabilidade social em Barra do Garças.

A investigação aponta que Benier Marcos Silva e Renato de Souza Soares, conhecido como Renatinho, ambos ligados à Agirf, teriam atuado diretamente na logística das cargas, incluindo contato com motoristas, definição de locais de descarga, pagamentos via PIX, retirada de produtos e articulação com agentes políticos.

Além dos servidores, cinco vereadores também foram alvos da operação. Os produtos investigados faziam parte do programa SER Família Solidário e deveriam ser distribuídos por órgãos públicos, entidades credenciadas e beneficiários previamente cadastrados. Segundo a apuração, o prejuízo estimado é de R$ 1,95 milhão.

A Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico e de dados, além de outras medidas cautelares. Servidores da Agirf foram afastados das funções. Já os pedidos de prisão preventiva e de afastamento dos vereadores foram negados.

Segundo a Polícia Civil, parte das cargas era retirada em centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e transportada para Barra do Garças. Em vez de seguir para os canais oficiais de entrega, os produtos teriam sido levados para imóveis particulares, chácaras, sedes de associações e outros locais privados.

A apuração aponta a existência de dois fluxos. O primeiro seria o regular, com solicitação formal, documentação, entrega por órgãos responsáveis e prestação de contas. O segundo seria paralelo, no qual os donativos eram movimentados com aparência de legalidade, mas sem o controle institucional exigido.

Benier Marcos Silva, servidor da Agirf, é apontado como responsável pela obtenção das cargas, contato com motoristas, intermediação de documentos, definição dos locais de descarga, pagamentos via PIX relacionados à logística, articulação com agentes políticos e tentativa de uso de caminhão público para retirada de novas cestas.

Renato de Souza Soares, o Renatinho, também servidor da Agirf, teria atuado na logística operacional, com contato com motoristas, pagamentos via PIX, organização de ajudantes, retirada de cestas em veículos de terceiros e acompanhamento de descargas. A apuração também cita o uso de imóvel familiar como ponto de descarregamento e investiga possível uso de comércio familiar para destinação de kits de limpeza.

Entre os vereadores, Allan Construtor, do Podemos, teria participado de recebimentos anteriores, mantido tratativas com outros investigados e aparece ligado à Associação Amigos dos Animais. A apuração cita relatos de retirada, armazenamento temporário e distribuição irregular de cestas.

O vereador Adilson Tavares Lopes, também do Podemos, teria admitido ter recebido informação sobre cestas destinadas a vereadores. Conforme a apuração, ele teria ido até um imóvel particular, retirado cerca de 100 cestas básicas e feito a distribuição de forma informal, sem documentação, autorização formal ou prestação de contas.

Valdeí Leite Guimarães, conhecido como Pebinha, aparece vinculado a um imóvel particular usado como ponto de armazenamento clandestino. No local, segundo a apuração, teriam sido encontradas cerca de 400 cestas básicas do Estado.

Armando José de Brito, do PMB, é citado em relato de testemunha sobre suposta participação na logística de transporte e descarga. A investigação também menciona veículos ligados a ele e ao filho no transporte de cestas em carroceria e carretinha.

Elton Melo, do Podemos, é apontado como possível receptor de cestas em entregas anteriores e aparece em relatos de contatos telefônicos relacionados à operacionalização das cargas.

A Câmara Municipal de Barra do Garças informou que acompanha a investigação e que irá colaborar com as autoridades responsáveis no que for necessário.

Os investigados não foram condenados. A responsabilidade de cada um ainda depende da conclusão do inquérito, da manifestação do Ministério Público e de eventual análise da Justiça.

Deixa que eu te conto
03 de julho de 2026

Sinop, MT

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