Hacker invade sistema da Saúde

Hacker invade sistema da Saúde de MT e atinge arquivos relacionados à CPI da Saúde

Reportagem aponta que cerca de 200 terabytes de dados foram comprometidos em ataque cibernético; Secretaria afirma que informações foram recuperadas por sistemas de contingência.

Hacker invade sistema da Saúde de MT e atinge arquivos relacionados à CPI da Saúde
Fonte Deixa que eu te conto

 Um ataque hacker registrado no início de março teria comprometido arquivos da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), incluindo documentos que poderiam ser utilizados em investigações conduzidas por órgãos de controle e fiscalização. As informações foram publicadas pelo jornalista Lázaro Thor, do portal PNB Online.

Segundo a reportagem, documentos, relatos e informações obtidas pelo portal indicam que aproximadamente 200 terabytes (TB) de dados teriam sido atingidos pelo ataque cibernético. Para se ter uma dimensão do volume, essa quantidade de informações corresponde a bilhões de páginas de documentos digitais.

De acordo com a publicação, a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI) instaurou um inquérito para apurar o caso. A investigação tramita sob sigilo.

A reportagem afirma que o ataque teria utilizado o sistema LockBit, um dos grupos de ransomware mais conhecidos do mundo. Nesse tipo de crime, os invasores sequestram e criptografam arquivos, exigindo pagamento para devolução do acesso aos dados.


Ainda segundo o portal, os responsáveis pelo ataque teriam exigido o pagamento de US$ 500 mil em bitcoin. A publicação relata que os criminosos também teriam informado que a divulgação dos documentos poderia causar prejuízos milionários à administração pública.

Apesar da cobrança, a reportagem afirma que os documentos não foram divulgados na internet. O que teria sido localizado pelos investigadores, segundo o portal, foi apenas a chamada “árvore de arquivos”, uma estrutura que indica quais documentos foram atingidos pelo ataque.

O caso ganhou relevância porque, segundo a reportagem, parte dos arquivos identificados estaria relacionada a auditorias internas, relatórios, planilhas de produção e documentos administrativos ligados à gestão da saúde estadual. Entre os arquivos mencionados pelo portal estariam documentos relacionados a empresas que já foram alvo de investigações conduzidas por órgãos de controle e forças policiais, incluindo contratos e prestações de serviços na área da saúde.

A publicação cita referências a documentos ligados à Operação Espelho e à Operação Panaceia, duas investigações que apuraram suspeitas envolvendo contratos e serviços terceirizados na rede pública de saúde. Também são mencionados arquivos relacionados ao Hospital Regional de Cáceres.

Nos últimos anos, a saúde pública de Mato Grosso esteve no centro de diversas investigações e debates políticos. Entre eles, a CPI da Saúde instalada na Assembleia Legislativa para analisar contratos, pagamentos e a execução de serviços na rede estadual. Segundo a reportagem, entre os arquivos atingidos pelo ataque estariam documentos que poderiam ser utilizados para consultas, auditorias e análises relacionadas a esses procedimentos de fiscalização. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que informações utilizadas em investigações tenham sido definitivamente perdidas em razão do ataque.

Outro ponto destacado pelo PNB Online é que, cerca de dois meses antes do ataque, a Secretaria de Estado de Saúde teria promovido alterações no acesso aos arquivos compartilhados da rede interna. Conforme documento reproduzido pela reportagem, os servidores foram informados sobre uma reorganização das pastas digitais, com mudanças nos critérios de acesso aos arquivos institucionais.

O caso também ocorreu em um momento em que a segurança digital dos órgãos públicos estaduais estava em discussão. A publicação afirma que uma licitação voltada à proteção dos sistemas governamentais havia sido iniciada pela Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI), mas acabou sendo suspensa antes da conclusão.

Em resposta aos questionamentos encaminhados pelo PNB Online, a Secretaria de Estado de Saúde informou que registrou boletim de ocorrência e comunicou o incidente à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A pasta afirmou ainda que não houve auditoria anterior ao ataque que tenha provocado indisponibilidade generalizada de documentos ou sistemas institucionais, como sugerido na reportagem.

Segundo a SES-MT, após o incidente foram realizadas análises técnicas para identificar vulnerabilidades, possíveis vetores de invasão e fragilidades que possam ter sido exploradas pelos autores do ataque.

A secretaria também declarou que os dados afetados foram recuperados por meio dos mecanismos de contingência, redundância e recuperação existentes na infraestrutura tecnológica responsável pelo armazenamento das informações, permitindo a continuidade dos serviços.

A reportagem informa que questionou a pasta sobre a possibilidade de apresentar documentos que comprovassem a recuperação integral dos arquivos, mas, segundo o portal, não houve envio de documentação complementar.

A Secretaria de Estado de Saúde afirmou ainda que não realizou qualquer pagamento aos responsáveis pelo ataque e declarou não haver elementos que comprovem eventual responsabilidade de gestores públicos pelo incidente.

Conforme a publicação, a Polícia Civil e a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI) não responderam aos questionamentos encaminhados pela reportagem.

Com informações de Lázaro Thor, do PNB Online.

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02 de junho de 2026

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